Mesmo nada tendo acabado.
Sabe aqueles dias em que nada faz muito sentido? Você acorda, mas não sabe o porque. Tudo muito lento.
Tudo lento eu disse? Não, não. A unica coisa lenta é você. Tudo corre, foge de você.
Aquilo que você mais ama parece se distanciar. Você é incapaz, não vai alcançala. Mas você nem tenta, tenta? Tudo parece tão distante, tão inatural. Como você deixou isso acontecer seu inutil? Como? Ontem, você a apertava carinhosamente na sua mão, sem deixar ela fugir, não como prisioneira, mas como o menino que protege a carta de seu primeiro amor dos olhos curiosos. É dele e só dele. Ninguem tem direito de ver. Mas hoje ela parece não querer ficar na sua mão, e seus dedos, tão frouxos, parecem não se importar!
Ai você percebe que nada dura pra sempre, mesmo nada tendo acabado. Está tudo na sua cabeça. Ou assim você deseja.
Chora, você merece.
Só não quero acordar assim amanhã.
O monstrinho chamado esperança
A crença irracional, incoerente, presente na condição de minha existência desde que me dou por ser vivo, sempre confundida com um dom, um presente dado aos otimistas por algum tipo de consciência superior sádica, Deus talvez. Ou mais provavelmente algo que a mente humana cria pra ter no que se agarrar, usar como apoio, como a fé, apenas pra se ter um motivo pra continuar existindo.
É, porém, algo mais simples, uma doença, cancêr, neoplasia maligna em sua forma mais pura, inoperável, inevitável. Ao contrario da fé, a qual se prendem as mentes fracas. Por mais forte que você seja a esperança vai estar sempre lá, no fundo da sua alma, dizendo que o absurdo é crível, transformando o pensador em crédulo, fazendo acreditar que um dia ela vai te amar como amou a ele.
Zeus sabia o que estava fazendo quando a pôs na caixa de pandora, sabia bem.
Para Stefan Rotenberg.